“Uma escola que não ensina como assistir à televisão é uma escola que não educa”, afirma o pedagogo espanhol Joan Ferrés. Autor de livros como Televisão e Educação, Televisão Subliminar e Vídeo e Educação, ele observa que a tendência no meio escolar é a de adotar atitudes unilaterais diante do fenômeno da televisão.
“Conforme a conhecida dicotomia de Umberto Eco (intelectual italiano, autor de ensaios e romances), seria possível falar de apocalípticos e integrados”, afirma Ferrés. “Talvez na escola o predomínio seja dos primeiros. Segundo esses catastrofistas, a televisão provoca todo tipo de males físicos e psíquicos: problemas de visão, passividade, consumismo, alienação, trivialidade.”
No extremo oposto, nota Ferrés, aparecem as posturas integradas, “segundo as quais a televisão deve ser considerada como uma oportunidade para a democratização do conhecimento e da cultura, para a ampliação dos sentidos, para a po-tenciação da aprendizagem. A televisão representa a cultura da opulência e da diversidade, a cultura da liberdade, das opções múltiplas”. Ferrés lembra que, também segundo Umberto Eco, as atitudes extremistas acabam confluindo, levando a resultados semelhantes. “A atitude mais adequada é a aceitação crítica, o equilíbrio entre o otimismo ingênuo e o catastrofismo estéril, um equilíbrio que assuma a ambivalência do meio, as suas possibilidades e limitações, as suas contradições internas.”
Para o professor Clóvis de Barros Filho, autor do livro Ética na Co-municação, “a televisão é o principal manancial de referenciais cognitivos dos alunos, e muitos professores têm um preconceito tão grande que se tornam incapazes de sequer reconhecer esses mananciais”. Clóvis coordena estudantes de duas universidades de São Paulo que pesquisam a influência de fatores sócio-econômicos na percepção e discussão de temas apresentados pelas telenovelas sobre alunos de 8a série.
O grupo de pesquisadores vai até a sala de aula, em escolas de bairros classe A e E, exibe um trecho da telenovela Torre de Babel e, em seguida, incentiva os alunos a debater o que viram. As discussões costumam ser muito ricas. “A escola deve preparar para os meios de comunicação de massa, e não condená-los. Os alunos vão passar a vida inteira assistindo à TV, e muitas vezes não se gasta um segundo para ensiná-los a ver tanto o Jornal Nacional quanto Os Cavaleiros do Zodíaco, afirma Clóvis.
http://revistaescola.abril.com.br/edicoes/indice_anteriores_2008.shtml - Matéria divulgada Dezembro de 98.
PESSOAL, PELO AMOR DE DEUS ESSE TEXTO NÃO É MEU, EU PENSEI QUE O NOME DO AUTOR ESTAVA NO TEXTO. EU NÃO ESTOU CONSEGUINDO O NOME DO AUTOR, NÃO ESTOU ENCONTRANDO AS EDIÇÕES ANTERIORES NO SITE DA NOVA ESCOLA. VOLTO A REPETIR NÃO É MEU.
BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS
Há 3 anos